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LUTO NA INFÂNCIA: Como falar sobre morte com crianças em tempos de Covid-19 | Jornal em Destaque

LUTO NA INFÂNCIA: Como falar sobre morte com crianças em tempos de Covid-19

Instituição de psicologia lança e-book gratuito que ajuda adultos a lidar com este tabu



LUTO NA INFÂNCIA: Como falar sobre morte com crianças em tempos de Covid-19

11/06/2020 14:25 ( Atualizado em 11/06/2020 14:29) | Região Nordeste | Comportamento |

Helio de Carvalho

Com a chegada da Covid-19, tornou-se ainda mais difícil lidar com o tabu da morte. O isolamento social e a falta de rituais de despedida são complicadores para a vivência do luto em tempos de pandemia. O quadro se agrava ainda mais quando é preciso falar sobre morte com as crianças. Muitas vezes, na tentativa de protegê-los, os adultos evitam um contato inevitável da criança com essa temática. Visando facilitar a comunicação entre pais e filhos, a Escutha Psi, instituição referência em educação continuada para os cuidados em saúde, juntamente com a Editora UECE, lançaram o ebook gratuito “Como comunicar às crianças a morte de um ente querido por Covid-19?”. O objetivo é tornar o assunto mais acessível para as famílias e desenvolver com cuidado a aceitação da perda na criança. Clique aqui para baixar a cartilha. 

 

De acordo com Fernanda Lopes, diretora da Escutha, psicóloga hospitalar e coautora do E-book, a morte ainda é um tabu social que as pessoas evitam falar a qualquer custo e esse tabu é reverberado para outras gerações. “Temos a ideia errônea de que evitar falar sobre morte vai nos impedir de viver a dor e o sofrimento. Mas ela é inevitável, e quando encontramos espaço para o diálogo é o momento em que abrimos uma janela para que esse processo seja vivido de maneira mais confortável. Sendo assim, isso não é diferente com as crianças. Evitar falar sobre isso não protege as crianças do processo do luto, bem como pode ser um grande complicador na vida adulta”, disse.

 

De acordo com a psicóloga clínica e coautora do e-book, Juliana Vieira, muitos pais se equivocam no momento de comunicar a morte de um ente querido, utilizando uma linguagem fantasiosa com a criança. “Não devemos falar que a pessoa querida que faleceu foi viajar, está dormindo ou papai do céu levou. A criança precisa ter uma sensação concreta e racional sobre o que aconteceu, até mesmo para não gerar perda de confiança, sensação de revolta ou o sentimento de ter sido abandonado pela pessoa querida. Além disso, temos que dar espaço para a criança falar o que se sente e abrir um diálogo sobre isso, podendo até mesmo usar uma linguagem com elementos lúdicos para que a compreensão seja mais fácil”.

 

Criança e Luto em tempos de Covid-19

A diretora da Escutha Psi, Fernanda Lopes, também explica no e-book como falar sobre isso de maneira mais fácil em tempos de Covid-19. “Uma das formas é lembrar a criança de experiências de perdas anteriores (pode ser um bichinho de estimação, uma plantinha) e usar essa experiência para ajudar na situação atual. Se houver rituais virtuais, é necessário estimular a criança a fazer alguma homenagem (seja via cartinha, vídeo, cantar uma música) e se esforçar para que as homenagens da criança chegue até lá, validando o seu esforço e a criação. É necessário se manter perto da criança fisicamente, responder os seus questionamentos de forma honesta e repetidas vezes se for preciso, além de permitir que a criança expresse todos seus sentimentos sobre a perda”, explica.

 

A supervisora pedagógica da Escutha Psi, Juliana Vieira, reforça que podem surgir várias reações emocionais e comportamentais na criança que são normais nesse período. “Inquietação, isolamento, ansiedade e até enurese (fazer xixi na cama) são sintomas que consideramos normal no período do luto. Mas é preciso entender que, assim como para os adultos, o luto é um processo individual para as crianças e que dura o tempo que precisa durar, dependendo muito da relação que o pequeno tinha com a pessoa querida. Caso ocorra muitas mortes na família da criança devido à Covid-19, é necessário ficar mais próximo e atento às reações, além de procurar apoio psicológico para ela”.


O objetivo é tornar o assunto mais acessível para as famílias e desenvolver com cuidado a aceitação da perda na criança. O objetivo é tornar o assunto mais acessível para as famílias e desenvolver com cuidado a aceitação da perda na criança.

Utilizando a linguagem lúdica para falar sobre morte

Steffanne de Lima tem 33 anos de idade e é mãe de três crianças (Valentina, cinco anos; Heitor, dois anos e Pedro 10 meses). Ela confessa que encontra dificuldade em falar sobre morte com o filho. De acordo com ela, ver o sofrimento e a dor num filho ainda é um desafio. “Eu, mãe, apegada que sou, muitas vezes caio no discurso ingênuo de não querer que meus filhos sofram, embora tenha consciência da importância de falar sobre o tema. Eu confesso que preciso falar para mim mesma sobre a morte e acolher a desorganização emocional que ele me traz, para depois olhar para a dor causada no meu filho e conseguir acolher ele”, disse.

 

Segundo Fernanda Lopes, muitos adultos ainda acreditam que as crianças não entendem e não sentem a dor de uma perda, mas elas têm uma percepção sensitiva e afetiva para entender a perda de alguém que elas amam. “As crianças têm uma linguagem singular e própria, por isto existem diversos filmes, desenhos e materiais como esse ebook que tem uma identidade visual e linguagem interligada com a da criança para falar sobre a morte”.

 

De acordo com Steffanne de Lima, ler o e-book foi fundamental para iniciar uma conversa honesta e menos dolorosa com seus filhos sobre a morte. “O que mais gostei é porque nos traz uma ideia de discussão a longo prazo para que possamos sempre ter paciência e conversar da melhor maneira com os nossos pequenos.  A cartilha me trouxe eixo e organização emocional, por isso me senti abraçada com cada informação contida e o mais importante me senti segura para falar sobre o tema e acolher todas as demandas surgidas nas minhas crianças".

 

Outros exemplos, de acordo com a psicóloga Juliana Vieira, são os filmes “Viva a Vida é Uma Festa”,  desenho que se passa durante o “Dia de Los Muertos”, tradicional celebração mexicana em que os finados são homenageados e que traz à tona o poder das lembranças, bem como a forte relação entre Neto e Avó. “Também tem o filme recém-lançado ‘Dois Irmãos: Uma Aventura Fantástica’, que retrata sobre o valor da família e trata o luto com mais seriedade. Além disto, podemos encontrar o assunto em filmes clássicos e que foram relançados, como o Rei Leão”, sugere. 

 

Conheça as autoras do E-book

Fernanda Gomes Lopes (CRP 05/60578) é psicóloga hospitalar e professora, além de sócia fundadora e diretora da Escutha Psicologia e Saúde. Atualmente a autora mora no Rio de Janeiro e é Doutoranda em Ética, Bioética e Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). Fernanda é Mestre em Cuidados Continuados e Paliativos pela Universidade de Coimbra, reconhecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de especialista em Psicologia da Saúde pelo Conselho Regional de Psicologia do Ceará. A psicóloga é Coautora do livro “Como comunicar às crianças a morte de um ente querido por Covid-19”, publicado pela EdUece.

 

Maria Juliana Vieira (CRP 11/09320) é psicóloga clínica e hospitalar, bem como supervisora pedagógica da Escutha Psicologia e Saúde. Maria Juliana também é mestre em psicologia pela Universidade Federal do Ceará, especialista em pediatria pelo programa de Residência Integrada em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará em parceria com o Hospital Infantil Albert Sabin. A coautora do ebook “Como comunicar às crianças a morte de um ente querido por Covid-19?” também é especialista em Psicologia da Saúde pelo Conselho Regional de Psicologia e autora do livro "Uma escuta ética do cuidado na morte e no morrer”.







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