NaResenha: O evento que virou tradição no terceiro distrito | Jornal em Destaque

NaResenha: O evento que virou tradição no terceiro distrito

6° Edição da festa consagra evento como sendo para toda sociedade e para todas as idades





NaResenha: O evento que virou tradição no terceiro distrito *

20/02/2020 13:01 | Miguel Pereira | Colunista |

Thais Carvalho

No sábado (8), aconteceu no bairro de Conrado a 6° edição do evento Naresenha, organizado por Rafael Souza e Aron Barbosa. O evento, que é considerado um dos mais esperados na região, começou por volta das 23h, com direito à entrada gratuita para as 10 primeiras damas. Esta edição contou com a presença de DJ’s locais e do grupo de pagode Obalá, sem contar com a variedade de drinks e cobertura fotográfica durante todo evento.


Rafael Souza foi um dos entrevistados da edição de novembro do ED, onde foi abordada a questão do negro no mercado de trabalho. O jovem microempreendedor e morador de Conrado, busca junto a seus parceiros organizar as edições do evento. “É gratificante poder manter o evento, ele se tornou tradição local”, disse.


COMO SURGIU


Uma pergunta que muito morador do terceiro distrito se faz, é: “de onde veio o Naresenha?”. O evento surgiu no período em que Rafael se mudou para a cidade de Nova Iguaçu (RJ). Ele teve a ideia de fazer uma festinha para alguns amigos íntimos e, na época, este tipo de festa era conhecida popularmente como “RESENHA”. A pequena festa particular gerou muitos comentários, um amigo convidando outro... foi então que Rafael e seu parceiro de trabalho, Aron, tiveram a ideia de transformar a Resenha em um evento maior. Assim surgiu a primeira edição do “Naresenha” e diversas hashtag que viralizam até hoje nas redes sociais:


#fofoquinhadesabado #vaidaemnadaesedeépoucacoisa #Naresenhaconrado #espelhaessafofocaparageral


Rafael e Aron celebrando mais um grande sucesso do NaResenha Rafael e Aron celebrando mais um grande sucesso do NaResenha

A primeira edição aconteceu na antiga Quadra do Beto, no centro de Conrado; contou com mais de 200 participantes, entre eles moradores locais, de outras localidades de Miguel Pereira e público de cidades vizinhas como Japeri e Nova Iguaçu. Logo na primeira edição, os jovens do terceiro distrito pediram mais, e a festa que era para o público jovem passou a ser para toda população e para todas as idades – sob criterioso cuidado e controle do acesso de menores. A organização alega tomar todas as providências, por conta da venda de bebidas alcoólicas, mas que até para essa consumação é necessária a apresentação de documentação.


AS CRÍTICAS


Consolidar o evento no distrito não foi uma tarefa difícil para os rapazes, entretanto, até hoje, eles enfrentam dificuldade na aceitação por parte do grande público. Muitos moradores ainda enxergam a festa como “bagunça e baderna”, quando o principal propósito é trazer para o terceiro distrito iniciativas que se solidifiquem, já que os eventos históricos da localidade estão perdendo seu valor e força, dia após dia.


Segundo os organizadores, o Naresenha tem, também, um grande potencial comercial e que, uma vez bem explorado através de parceria dos comerciantes e até de moradores com o evento, se potenciaria significativamente os negócios. Eles comentam que, antes do evento, diversas pessoas passam nos bares e lanchonetes para comer algo e bater um papo, fomentando, naturalmente, a economia – um lado positivo que muitos ainda não estão considerando.


A alegria e a confiança, que os organizadores buscam trazer para o público, têm sido reconhecidos por alguns moradores que já acompanham as edições anteriores. “Eu acho maravilhoso, pois junta toda galera local e o evento sempre bomba; por mim teria um todo mês”, comentou a moradora do terceiro distrito, Fabiola Bianco (38).


Para Aron Barbosa é importante quebrar essa visão das festas que tocam funk, pois é cultura e o evento sempre visa respeitar os moradores e alcançar um número cada vez maior deles. “A festa traz muita alegria, muito amor e diversão, não traz nada de negativo para comunidade; é algo que deve continuar, pois é bem organizado e pode virar arte da cultura local”, disse Marcela Oliveira (36).


Aron também afirma que “todo investimento foi próprio, sem nenhum vínculo com a comunidade nem viés político e, por isto, tentamos mostrar que todo mundo é bem-vindo e esperamos fazer outra edição este ano”.


RESISTÊNCIA AO FUNK


Durante esta 6ª Edição do Naresenha, diversos moradores comentaram que quando acontecem eventos promovidos pela prefeitura é proibido tocar músicas no estilo Funk, mesmo as não conhecidas como “proibidão”. O curioso é que isto acaba chateando o público, pois todos os eventos acabam muito cedo e o bairro não tem nenhum tipo de casa de festa ou lazer musical. “Acredito que o som alto deva incomodar à vizinhança, mas o local de realização da Resenha é isolado, justamente para evitar o incômodo. Quando acontece um show na praça, evento na quadra, até aniversários aqui na região, são sempre as mesmas reclamações, mas nem são pelo som alto e sim por ser funk”, expressou o morador Ronaldo Junior (22).


O preconceito ao funk remonta a história do samba. Surgido no meio dos negros, ex-escravos, o ritmo sofreu o mesmo preconceito racial. A imprensa das décadas de 1920 a 1930 tem vários registros de ações da polícia contra os sambistas. Um desses foi João da Baiana, autor de clássicos e considerado por muitos como o introdutor do pandeiro nas rodas. Nos anos 20 e 30, ele foi assíduo frequentador da cadeia. “Fui preso várias vezes por tocar pandeiro”, contou João, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som.


Muitas vezes, os músicos e cantores acabavam levados para a cadeia simplesmente por sambar. O preconceito contra o samba não se materializou somente na repressão policial das primeiras décadas; havia forte resistência social. Tanto, que no fim dos anos 70 as emissoras de rádio só tinham espaço, praticamente, para músicas americanas.


Hoje, apesar de ter ganhado espaço nas rádios e TVs, o funk, ritmo que assim como o samba é nascido nos morros cariocas – “é som de preto, de favelado...” – ainda sofre um misto de amor e preconceito, por muitos. Não à toa, segundo Monarco, a luta para manter o ritmo em alta nunca vai acabar. “As coisas melhoraram muito, mas é preciso ficar esperto, estão sempre querendo puxar nosso tapete”, alerta.


Rafael e Aron disseram ao ED que a 6° edição terminou por volta das 5h da manhã, deixando muitos comentários positivos sobre a estrutura e execução do evento – o que poderá resultar em mais uma edição, ainda este ano.














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