Autora de livro que aborda a adoção de casais homoafetivos a crianças órfãs, palestra em Miguel Pereira | Jornal em Destaque

Autora de livro que aborda a adoção de casais homoafetivos a crianças órfãs, palestra em Miguel Pereira

“Jardim de Famílias” é uma literatura infantil que levanta tema desafiador e que polemizou a Bienal





Autora de livro que aborda a adoção de casais homoafetivos a crianças órfãs, palestra em Miguel Pereira

15/10/2019 19:07 | Cidade:Miguel Pereira | COLUNISTAS | Fabio Kleine

Enquanto o homossexualismo é tratado como doença (como era há séculos), se fala em liberação de trabalho infantil e o ECA é criticado pelo próprio governo federal, Graça Leal escreve um livro infantil abordando a adoção de crianças órfãs por casais homoafetivos.


Graça é uma carioca com 59 anos de idade (ela faz questão de frisar sua idade), mãe de um casal de filhos biológicos, hétero e, como qualquer outra pessoa que se importa com o futuro de nossas crianças, ela se preocupa com problemas que não lhe atingem diretamente. Esta preocupação a fez escrever o livro “Jardim das Famílias”, com linguagem dirigida ao público infantil.


O ED foi bater um papo com a escritora e a encontrou à beira do Lago de Javary, rodeada de crianças que, por seu incentivo, desenhavam e coloriam sobre um grande plástico azul, completamente à vontade.


Autora interagiu com crianças, no lago de Javary Autora interagiu com crianças, no lago de Javary

Graça tem muitos artigos que escreve para um site, livros não publicados e frases e pensamentos que posta no seu Instagram: Graça Leal Pensamentos, que ela classifica como provocativos e alfinetadas, nada “mamão com açúcar”.


Em Destaque: Graça, você já escreve há muito tempo? Tem outros livros publicados?


Graça: Eu sempre escrevi, desde pequena, e digo que sou uma eterna aspirante à escritora. Tenho outros livros escritos, mas, este, em especial, me motivou a publicar por causa do tema. Não sei lhe dizer como eu me inspirei. Não sei. Veio! Eu vi essa movimentação, esse burburinho, STF, as famílias aí, os casais aí, tudo acontecendo... Eu cursei Normal e, como uma eterna normalista, com aquela veia docente, estou sempre preocupada com as crianças, com o futuro, com a formação, com essa sociedade que está, toda hora, se renovando e que precisa acompanhar o que está acontecendo no mundo. Porque, como essas crianças vão sair de um orfanato, de uma rotina de vida, de uma certa forma limitada, sem uma referência de família (eles vêm de uma grande família, mas com um histórico de família, sempre, muito conturbada) e já órfãos; e não poderiam ser, também, órfãos sociais pelo fato de terem conseguido uma família, que é o sonho de todos eles. A criança tem facilidade de aceitar melhor as coisas, que os adultos. Na verdade, o livro é infantil, mas nem é tanto para a criança. A editora o classificou com a faixa etária de sete a 10 anos, mas eu digo que ele é muito mais para 700 do que para sete.

Estamos vivendo momentos do bullying e, por mais que você não rejeite, um ou outro vai olhar diferente, porque o diferente, de uma certa forma, mexe um pouco, incomoda um pouco. Isto não é a criança, é o ser humano como um todo. Então, a gente precisa formar essas crianças para que não deem abertura para o bullying, para que elas sejam bem aceitas nas festinhas, na pracinha, na escola... E que os pais, também, surfem nessa onda de entender. Não precisam aceitar nada! Mas, precisam respeitar.


Em Destaque: Nestes tempos meio doidos, em que vivemos, principalmente sobre este tema, você já sofreu alguma repressão, alguma crítica mais contundente?


Graça: Na verdade, eu conheço pessoas que eram contra esse tipo de adoção, leram o meu livro e passaram a ser a favor, apesar do propósito do livro não ser mudar a cabeça de ninguém e, sim, promover o respeito, mas eu achei bacana. Este resultado veio além do que eu havia panejado. Não sei se é bacana dizer isso, mas também é uma realidade e estamos tratando aqui de verdades, então vamos lá. Eu não encontrei muito apoio do pessoal do movimento LGBT.


Em Destaque: Não?


Graça: Não. Eu tive um apoio, no ano passado, da ABRAFH (Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas), em um evento que eu fui convidada. Foi um piquenique onde eu divulguei a primeira edição do meu livro, que foi independente, já que nenhuma editora queria publicá-lo. Fiz um lançamento dele na Flicepe, um evento anual realizado pela Escola do CEPE, aqui em Miguel Pereira, há dois anos. E a ABRAFH foi a única instituição que me deu retorno e me convidou para o evento dela. É uma associação importantíssima, que dá apoio a estas famílias e foi a única que eu consegui um retorno. A minha pessoa nunca foi rejeitada, mas muita gente não entende, por eu ser hétero e falar sobre isto. Você sabe que tem dessas coisas, né? Eu faço questão de deixar claro a minha idade, não ser homossexual, para que as pessoas entendam que não é preciso ser jovem ou ser gay para defender a causa. Eu não sou militante da causa, mas eu a defendo e a apoio. E não sou uma mãe adotiva. Eu tenho dois filhos biológicos.


Em Destaque: O seu livro esteve na Bienal do Livro. Ele passou pelo pente fino do Crivella?


Graça: Sim. Eles estavam implicando com uma revista em quadrinhos porque tinha dois homens se beijando. Mas, meu livro passou pelo crivo do Crivella.

É importante que as pessoas saibam que uma família pode ser de uma pessoa solteira com um filho, que pode ser uma mãe, pode ser um homem, pode ser duas mães ou dois pais; tudo é família. Hoje, temos o apoio do STF para esta questão. 

Quando você tem um filho biológico, você pare um filho e em uma adoção quem dá à luz é o coração. A criança que já é órfã de pai e mãe, não pode ser órfã da sociedade, também. Não pode! Como você vai dizer a uma criança adotada por um casal homoafetivo que ela não tem uma família?


Em Destaque: Graça, onde podemos encontrar o seu livro?


Graça: Ainda não se encontra na livraria da cidade. Mas, no site da Livraria Travessa você pode comprar. Mas, vamos providenciar isto. Se o meu livro está em Moçambique, Cabo Verde, Angola, Portugal; não estaria aqui, por quê? Né?!


Em Destaque: Você tem sido chamada para divulgar seu livro e fazer palestras? Conta pra gente como tem sido isto. E há quanto tempo o livro foi editado?


Graça: Ele foi editado em março deste ano. Depois da Bienal eu tenho recebido alguns convites, pessoas têm feito contato. Neste dia 11 eu estarei em Silva Jardim (RJ), a convite do Secretário de Turismo, para participar da Feira Literária da cidade. Tenho feito esse trabalho associado à música. Tem um músico que me acompanha a estes eventos, ele toca e eu faço essa atividade com as crianças.


Livro editado em quatro países de língua portuguesa. Próximo passo da autora será publicá-lo em espanhol Livro editado em quatro países de língua portuguesa. Próximo passo da autora será publicá-lo em espanhol

Graça concluiu a entrevista falando sobre a perseverança em editar o livro. Cerca de 20 editoras foram procuradas, umas cinco, apenas, retornaram agradecendo, mas nenhuma se interessou pela publicação. “Quando eu fiz contato com Portugal, em 24 horas eu tive o retorno de uma editora, 48 horas depois, mais duas e eu tive que escolher a editora para publicar o meu livro”, disse.


Ele está em vários países de língua portuguesa e o próximo passo da autora será publicá-lo em espanhol.


Graça finalizou a entrevista deixando um recado de perseverança: “Se você tem uma ideia e acredita nela, insista. A gente é que tem que fazer o país. Conhecimento não dá para ficar guardado, tem que compartilhar. Então A-CRE-DI-TE!














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