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A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR | Jornal Em Destaque por Bruna Richter em Colunista

A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR



A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR Classificação

12/05/2021 11:55 | Rio de Janeiro | Colunista |

Bruna Richter

Existe um ditado popular que reproduz a ideia de que temos dois ouvidos e uma boca porque deveríamos falar menos e escutar mais. Simbolicamente isso faz muito sentido. Num momento tecnológico onde tantas falas emergem com seus diferentes pontos de vista e suas certezas engessadas e absolutas, saber ouvir é um enorme diferencial para uma comunicação eficaz. A escuta genuína proporciona fortalecimento dos laços afetivos, ao aumentar a possibilidade de conexão com a realidade do outro.


Ouvir com atenção requer alguma disciplina. É preciso que evitemos distrações e desatenções que podem surgir das mais diversas fontes. Além disto, se torna essencial não interromper o processo de fala nem ser seletivo diante dele. Também se faz imperativo buscar, sempre que possível, suspender julgamentos predefinidos e se posicionar de forma aberta e receptiva aos assuntos abordados e aos distintos pontos de vista que possam surgir. Por fim, é imprescindível manter um interesse verdadeiro no que nos é contado.


Uma escuta ativa, inclusive, resulta em foco não apenas no que está sendo dito, como no que não está. Isso que fica em suspenso, se escondendo nas entrelinhas, pode nos fornecer dicas valiosas sobre o que é possível ou não ser dividido naquele momento. Soma-se a isto, a linguagem não verbal, onde gestos, tons de voz e expressões faciais podem nos clarificar ainda mais detalhes da história que está sendo contada. Portanto, escutar se traduz em ouvir para muito além das palavras.


A capacidade de se colocar no lugar do outro a partir do que está sendo compartilhado reforça todo o processo de busca por uma maior captação dos pensamentos e emoções das pessoas. E os benefícios desse tipo de posicionamento são inúmeros: redução dos ruídos do diálogo ocasionados por falhas na mensagem, ampliação do entendimento dos assuntos mais relevantes diante do aumento da clareza, acréscimo da sensação de segurança e confiança, fortalecimento de vínculos e aumento significativo de empatia.


Contudo, para escutar o próximo, precisamos nos silenciar. Emudecer - nossas verdades cristalizadas, nossos preconceitos, nossos vícios, nossos únicos modos - para que consigamos aceitar e acolher com a disponibilidade necessária o que vem do próximo. Se não nos despirmos de nossas crenças não será possível abraçar tudo aquilo que o outro traz de acordo com sua própria história, com suas vivências e atravessamentos e que podem ser tão distantes de nossa realidade particular.


Em tempos de aceleração da vida de maneira imposta e continuada, fazer pausas para ouvir - os outros e a si - é um presente. Acolher o que nos trazem de mais íntimo e particular é reafirmar a importância de cada um. Em meio a bocas ávidas por articular indefinidamente os mais diversos assuntos, escutar segue sendo um gesto corajoso e sensível, que sustenta o zelo e o alerta às particularidades. Escutar é assim, sutilmente, a possibilidade de devolver a voz.









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